domingo, janeiro 30

um ritmo

acenda aquele cigarro de fim de tarde
desenhando fumaças em preto e branco
rodeando o vapor em vestido
acena o fim de fala branda
para cair
desamanhecer
teu domingo
sobre mim

domingo, janeiro 23

no verso

Estas fotos que tudo entregam, queimando o rosto dos livros e derretendo letras. Agora ficam imagens mudas, aquelas proximidades que todos sabem e muitos esquecem fingindo. O que te abrasa são sorrisos gelados no ar, amarelos futuros de um corpo que não se toca. Tua dúvida, tua dívida (na carne do tempo).

sábado, janeiro 8

é daquele romance

ele enxuga o teu suor, suspira sem inflar os peitos, mas enxuga o suor. ainda espera pra ver se você reage, se escreve de volta com as letras dos olhos, se dá um sorriso de canto de boca e esboça um convite. os pássaros deram um rasante sobre a sua cabeça. olhou para o céu enquanto ele se foi.

lixo eletrônico

como pode tudo
se nunca aparece
se todo mundo sabe
(e sempre)
sabe
mas não encontra
a fumaça
do cigarro
dois chopes
de esquina
que te acolhe
em bafo de amor
no fim dos dias?

sexta-feira, janeiro 7

próximo passo

por que não pede sorrindo?
quem sabe o mundo te atende.

oração

vem assim
sem pedir licença
arrombando a porta
antes de bater três vezes
manchando de amarelo
ruas paredes abrigos meus
não pergunta se eu pedi
se eu quis implorei cedi
só sabe chegar e sorrir
desgraças minhas
sob um sol de janeiro

sábado, janeiro 1

01 de janeiro

termina
porque houve
um começo
um passo primeiro
uma voz alheia em ouvido faltoso
teus pés na valsa mofada do tempo
enquanto as migalhas dos dias
voltarão a correr
feito dublê de corpo
estendendo mãos
diante do rosto
levando teus olhos
ao movimento em falso
do ato final